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lituraterra

psicanálise, literatura e cultura

dia um

Dia primeiro do ano foi um domingo, primeiro dia de cada semana.
Continuamos celebrando a primeira semana. Mas, logo virá a segunda, menos importante. Assim como veio a Segunda (feira), logo a terceira, a quarta… todas virão.
E esses dias não serão celebrados.
São aqueles indesejados dias, às vezes insossos, outras amargos, que compõem instantes supérfluos, com pitadas de folia, entre um Natal-Ano Novo e outro Natal-Ano Novo. Dias que apenas acontecem, ou desacontecem, muitas vezes sem deixar qualquer marca na memória.
Ainda pior: são dias em que nada se renova. Votos de felicidade, de sucesso, de paz e de esperança de que após meia noite a vida será completamente diferente e melhor são adiados até o próximo 31 de dezembro, quando em seguida outro primeiro dia virá.
E se cada dia fosse como o primeiro? E se cada dia fosse a página branca pra escrever tudo que se queira – se o novo dia nascesse do anterior e se deitasse sobre o seguinte para escrever um verdadeiro tempo?
E se ao fim de cada dia, fôssemos cheios da certeza da melhora na manhã seguinte?
E se a cada manhã, se renovasse a beleza do novo dia?

Se cada dia trouxesse em suas horas a esperança de que a mudança, feita por nós, é desejada, necessária e certa; ainda assim, esperaríamos que somente o distante início do próximo ano nos traga paz e coragem?